quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Agosto chegou

Agosto Chegou

Sem versos, sem cantos,
Sem nuvens negras ou céus carregados
Sem rosto.

Agosto chegou
levando amigos
E deixando amorosos inimigos
                       incapazes de me odiar
                       pelas idéias sem valor
                       que grito nas praças.

Mês horrendo
     mês de minha morte
    de todas as minhas mortes.
Agosto chegou
e ainda estou
na esquina do tempo
em que parei.

Agora Agosto chegou
quebrando o relógio
movendo os ponteiros
atrasando planos.
Afinal, Agosto chegou
e eu não tenho planos
os sonhos se esgotaram
após férteis e sucessivos enganos.

Estou parado, mais uma vez,
Em uma esquina, a mesma rua
A mesma paixão talvez,
Mas não a mesma travessa.
São movimentos diferentes
Pedestres desconfiados
Noites serenas e quentes
E a minha vida, novamente, na esquina.

Ora, Agosto chegou
Preciso abandonar a esquina
Sem abandonar minha rua
Sem sair do caminho
É hora  de deixar para trás o doce
Olhar do passado.
Agosto chegou
É preciso decidir!
E como decidir, se penso
No sorriso dela todo dia.
Sorriso tímido, contemplado por poucos
Tão belo e inesperado quanto o momento
Em que surge.

Agosto chegou
E a dúvida sobre meu amor
Por ela desapareceu
Com a velocidade
Que o brilho do olhar dela
Desaparece em pensamentos
Perdidos no horizonte.

Pensamentos que não desvendo
Que não tenho acesso
Mas, como a fluidez de uma cachoeira
após uma tempestade,
percebo, são pensamentos
destinados à outros,
 felizardos que a vida premiou,
outros que não sou eu.
Agosto chegou
e estou na esquina
na mesma esquina
               de antes.
E com muito medo de atravessar.

Agosto chegou
trouxe mais um amor!
Tão distante!
Tão inesperado!

Agosto novamente chegou
                            E eu não consigo
                                      ser feliz.

Ézio Sauco
08/08/212

Noite




Edward Hopper

Nesse blog postarei meus pensamentos sobre tudo que esta em minha volta, geralmente percebido sob uma ótica noturna e solitária. Espero que possa servir para distrair as pessoas, além de mim.

  Obrigado,

Ézio.