Agosto Chegou
Sem versos, sem cantos,
Sem nuvens negras ou céus carregados
Sem rosto.
Agosto chegou
levando amigos
E deixando amorosos inimigos
incapazes de me odiar
pelas idéias sem valor
que grito nas praças.
Mês horrendo
mês de minha morte
de todas as minhas mortes.
Agosto chegou
e ainda estou
na esquina do tempo
em que parei.
Agora Agosto chegou
quebrando o relógio
movendo os ponteiros
atrasando planos.
Afinal, Agosto chegou
e eu não tenho planos
os sonhos se esgotaram
após férteis e sucessivos enganos.
Estou parado, mais uma vez,
Em uma esquina, a mesma rua
A mesma paixão talvez,
Mas não a mesma travessa.
São movimentos diferentes
Pedestres desconfiados
Noites serenas e quentes
E a minha vida, novamente, na esquina.
Ora, Agosto chegou
Preciso abandonar a esquina
Sem abandonar minha rua
Sem sair do caminho
É hora de deixar para trás o doce
Olhar do passado.
Agosto chegou
É preciso decidir!
E como decidir, se penso
No sorriso dela todo dia.
Sorriso tímido, contemplado por poucos
Tão belo e inesperado quanto o momento
Em que surge.
Agosto chegou
E a dúvida sobre meu amor
Por ela desapareceu
Com a velocidade
Que o brilho do olhar dela
Desaparece em pensamentos
Perdidos no horizonte.
Pensamentos que não desvendo
Que não tenho acesso
Mas, como a fluidez de uma cachoeira
após uma tempestade,
percebo, são pensamentos
destinados à outros,
felizardos que a vida premiou,
outros que não sou eu.
Agosto chegou
e estou na esquina
na mesma esquina
de antes.
E com muito medo de atravessar.
Agosto chegou
trouxe mais um amor!
Tão distante!
Tão inesperado!
Agosto novamente chegou
E eu não consigo
ser feliz.
Ézio Sauco
08/08/212
