quinta-feira, 21 de julho de 2016

Relinchos de Setembro

É tarde
e não tenho sonhos
             Lá fora os homens gritam
             uivam e relincham desesperados
             com laços de sangue sobre trapos
             encardidos pelo tempo

Tempo que não tiveram
Tempo que eles não têm
Tempo que jamais terão

E o Tempo que os traz
é o mesmo que os trai
com seu discurso
            sem curso na história.

                        Tem pó no discurso
                        recluso na história.
Ecoa o discurso
no vale do saber
onde se ouve relinchos
guinchos da ignorância.

É tarde
   o orvalho da noite
   molha a terra
   que gruda na bota
  como enferruja o discurso

A bota pisa na pedra
a pedra que era terra
 não suja mais a bota
(i)lustrada no discurso

Pela bota o homem se enxerga
e não enxerga mais a terra
que virou muita pedra
atirada em que esta fora
fora do curso
do homem que se enxerga
na bota que comete abuso
em respeito ao discurso.

Agora o homem só enxerga
a imagem na bota
e nada mais aprende
com o discurso
Não há nada
nada que se entenda
porque nele só há
                                               relincho

Relincho de muito tempo.


Ézio Sauco


01 de Abril de 2012.

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