É tarde
e não tenho sonhos
Lá fora os
homens gritam
uivam e
relincham desesperados
com laços de
sangue sobre trapos
encardidos
pelo tempo
Tempo que não tiveram
Tempo que eles não têm
Tempo que jamais terão
E o Tempo que os traz
é o mesmo que os trai
com seu discurso
sem curso na
história.
Tem pó no discurso
recluso na história.
Ecoa o discurso
no vale do saber
onde se ouve relinchos
guinchos da ignorância.
É tarde
o orvalho da noite
molha a terra
que gruda na bota
como enferruja o
discurso
A bota pisa na pedra
a pedra que era terra
não suja mais a bota
(i)lustrada no discurso
Pela bota o homem se enxerga
e não enxerga mais a terra
que virou muita pedra
atirada em que esta fora
fora do curso
do homem que se enxerga
na bota que comete abuso
em respeito ao discurso.
Agora o homem só enxerga
a imagem na bota
e nada mais aprende
com o discurso
Não há nada
nada que se entenda
porque nele só há
relincho
Relincho de muito tempo.
Ézio Sauco
01 de
Abril de 2012.
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